A CASA AMALDIÇOADA
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Nota:
7,5
Thriller de humor sobre casa assombrada
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mais informações:
IMDB
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THE CAT. THE RABBIT. THE CASTLE.
Este filme é a prova de que vender gato por lebre não é uma boa.
As propagandas e material promocional levam a gente a pensar que ele é do gênero terror. E a
í, depois de assisti-lo, percebe-se que não era nada disso.
Vamos falar a dura verdade: não é um filme de terror, é uma comédia!
E, todo mundo que não entendeu isso, deve ter achado um tédio ou ficado decepcionado.
Uma pena, visto que esta é uma das melhores homenagens
William Castle já recebeu.
Diretor-produtor-escritor de cinema genial e desgraçado.
Mais um daqueles que não enriqueceram e nem viveram o glamour de Hollywood.
Também, era muito visionário (vulgo: meio doido).
Pensava que o cinema deveria atingir os outros sentidos humanos. O tato, olfato e paladar.
Criou um tipo de espetáculo cinematográfico (que dava nomes como “Percepto”), onde colocava seu público em contato com o filme... e outras intervenções no momento de exibição.
Contratava pessoas para invadirem a sala de exibição, fantasiadas de monstros ou outro personagem.
Espalhava essências aromáticas no sistema de ventilação do cinema para que o público “cheirasse as cenas”.
Em seu filme mais genial, FORÇA DIABÓLICA (
The Tingler - 1959), dava choque nos espectadores através de eletrodos anteriormente escondidos nas poltronas.
Isso tudo sem que a platéia soubesse de nada.
Todo este aparato fazia parte de sua ideologia de interação homem/obra.
Aliás, hoje em dia muito difundida no teatro contemporâneo, só que com uma abordagem e temas mais sérios.
No caso de Castle, uma tentativa inovadora e “rupestre” de alcançar o que deseja a realidade virtual nos dias de hoje.
Enfim, seus filmes são levíssimos.
Mesmo quando tem gente morta, ou monstro, ou coisa.
Nada vai te machucar realmente, é só brincadeira.
E, geralmente, tinham excelentes roteiros. O que deixava tudo mais ótimo.
William Castle ainda inspira uma parte significativa de filmes atuais. Tanto no gênero terror, quanto em suspense e comédia.
Cito e comento alguns aqui embaixo.
A CASA DOS MAUS ESPÍRITOS (
House on Haunted Hill, 1959).
Neste original, pessoas são convidadas a passar uma noite numa casa assombrada em troca de um prêmio de muitos dólares para quem sobreviver.
Quem propõe a brincadeira é um bilionário com problemas matrimoniais.
Esta trama rendeu em 1999 duas refilmagens:
The Haunting (1999), o motivo deste texto.
E outro, homônimo ao de Castle, foi lançado no Brasil como A CASA NA COLINA (
House on Haunted Hill - 1999), dirigido por
William Malone. Tinha
Ali Larter como principal seguida de
Geoffrey Rush, mais a
Jean Grey dos X-MEN,
Famke Janssen e o bonachão
Peter Gallagher O. C. Inc.
A CASA NA COLINA do Malone é suspense/terror/ação e tem pouca comédia.
A CASA AMALDIÇOADA de Bont é mais de suspense/comedia/terror e tem pouca ação. É exatamente na comédia que THE HAUNTING fica mais próximo do estilo “Percepto” de se fazer cinema.
Outra película que já bebeu desta fonte foi OS SETE SUSPEITOS (
Clue, de
Jonathan Lynn - 1985). Divertidíssimo. Uma brincadeira com o jogo DETETIVE onde os personagens, armas de assassinato e cômodos da casa são os conhecidos, mas o final é variado (existe mais de 1 final).
Srta. Branca, Cel. Mostarda, candelabro, cozinha, corda, etc.
Com atores maravilhosos e
Tim Curry inspirado de mordomo, o personagem principal.
Nos anos 80 passava na “Sessão da tarde” da rede Globo.
É claro, que guardadas as devidas diferenças de ordem conceitual do “Percepto” para os “Saws”.
Entre muitos outros, ele produziu O BEBÊ DE ROSEMARY (
Rosemary's Baby - 1968) de
Roman Polanski.
Enfim, mais e mais.
Venderam gato por lebre pro Castle.
Fizeram uma propaganda do filme como se fosse um de dar medo. E na verdade era um parque de diversão, com carrossel e tudo.
O personagem principal era a casa mesmo, gente. O cenário. O trem fantasma.
Alguém notou?